segunda-feira, 9 de maio de 2016

ALUNOS VENCEDORES DO CONCURSO DE ANÁLISE CRÍTICA DE FILMES DE ANIMAÇÃO






Estes dois lindos jovens são Juliana e Matheus, vencedores de um concurso de análises críticas das animações :
"Muito além do peso" e "A maior flor do mundo".  
 Eles são alunos do 2º ano do Ensino Médio - Escola Etec  de Registro (SP) e do professor Cláudio Vieira que é historiador, pedagogo e  leciona em escolas públicas e particulares do estado de São Paulo.

Parabéns ao professor Cláudio pelo excelente trabalho com seus alunos e parabéns a Juliana e ao Matheus pelo talento.


AGORA VAMOS LER AS ANÁLISES VENCEDORAS.


Análise da animação 
“A flor mais grande do mundo”

(Direção: Juan Pablo Etcheverry – 2007)
                                                
 Logo no início da animação “A flor mais grande do mundo” o autor nos dá uma breve dica do tema que será desenvolvido na obra, dizendo que “As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples… Quem me dera saber escrever essas histórias…” isso talvez nos sugere a densidade do tema que será abordado: a exploração capitalista da natureza e do homem. 

Essa obra é baseada no livro “A Maior Flor do Mundo” (de José Saramago) e ganhou o prêmio de melhor animação do Anchorage Internacional Film Festival e foi nomeado para os Goya na categoria de melhor curta-metragem (CLINICATANIAHOUCKONLINE, 2011).    
 
       No início o garoto está num passeio de carro com sua família, quando seu pai resolve parar e cortar uma pequena árvore, única fonte de sombra de uma pequenina flor. Essa cena me chamou a atenção pelo fato de que essa árvore era a última num deserto triste e infértil, o que nos mostra, logo de início, a destruição causada pelo homem como algo rotineiro na vida das pessoas, que interpretei como sendo uma crítica direta à forma como nós mesmos agimos no dia-a-dia, não só com relação à natureza, mas a relação estabelecida entre nós seres humanos, que não vemos a quem ferimos se nos beneficiamos de alguma forma. Boff nos contribui  (p. 04, s/data) “O núcleo desta sociedade não está construído sobre a vida, o bem comum de todos, a participação e a solidariedade entre os humanos. O eixo estruturador está na economia. Ela é um conjunto de poderes e instrumentos de criação de riqueza - e aqui vem a característica básica - mediante a depredação da natureza e a exploração dos seres humanos”.  

      Outra coisa intrigante na mesma cena é o garoto que, carregado pela atitude paterna, captura um pequeno besouro que por ali voava, acredito que seria outra crítica embutida pelo autor a nós, pois muitas vezes somos como uma criança já que somos levados a acreditar naquilo que o mundo nos propõe sem nem fazer uma análise mais crítica dos fatos que nos cercam, ficando à mercê de opiniões de terceiros, e, sendo facilmente manipulados.

     Chegando a casa, os pais do garoto entram na residência com a árvore em mãos para construir uma espécie de banquinho de madeira utilizando-a como matéria prima, o que mostra a ideia de posse que nós temos sobre a natureza, como se pudéssemos simplesmente nos apropriar dela para satisfazer nossos desejos de luxo e conforto. Boff, nesse sentido, ainda nos acrescenta (p. 06, s/data): “Para este tipo de economia do crescimento a natureza é degradada a um simples conjunto de "recursos naturais”, ou à matéria prima em disponibilidade dos interesses humanos. Os trabalhadores são considerados como "recursos humanos" ou pior ainda: em "material humano", em função de uma meta de produção”. Ou seja, nossa concepção de mundo atual nos induz a tornar tudo e todos meros objetos de luxo, do prazer, do lucro e estamos esquecendo daquilo que temos talvez de mais humano em nós o cuidado.  

       Enquanto isso, o garoto que está no jardim encantado com o besouro abre a caixa e o deixa escapar, ele corre atrás do inseto, porem é parado por um muro que cerca a sua casa dizendo “Pare” “Perigo”. Essa cerca divide o mundo capitalista - a máquina opressora e manipuladora - de pessoas, animais, minerais que vêm nos consumindo cada vez mais com a promessa de um sonho às vezes americano de desenvolvimento e igualdade para com todos e do outro, aquela que talvez seja a mais oprimida e injustiçada de todas: a mãe natureza.   

      Mas o garoto é corajoso e atravessa a cerca em busca de um desejo: o conhecimento. Ele corre até a beira de pequeno lago envolto por entulho e se vê diante de uma pequena ponte, a princípio tem receio de cruzá-la. O que será que o aguarda? Um mundo cheio de monstros devoradores de gente, ou um tesouro muito raro...?!? Ele toma coragem e adentra a selva. Nesse trecho chamo a atenção ao fato do autor nos alertar sobre nosso comportamento em relação à mãe natureza, já que criamos uma imagem de um mundo totalmente adverso ao nosso; como se nós não fossemos mais parte dela como ser humano (e sim algo artificial) como bem diz Boff (p. 10, s/data) 

“Não basta o ambientalismo, como se a ecologia tivesse apenas a ver com ambiente natural, com o verde, as águas e o ar. esta perspectiva pode ser até anti-humanista, segundo a qual, o ambiente é melhor sem o homem/mulher. A realidade é que o ser humano faz parte do meio-ambiente. Ele é um ser da natureza com capacidade de modificar a natureza e a si mesmo e assim fazer cultura; ele pode agir com a natureza expandindo-a, bem como contra a natureza agredindo-a.”

     O garoto ao entrar se depara com uma árvore e fica admirado por sua grandeza e talvez refletindo como somos insignificantes. Toca a árvore com um carinho que só um filho tem por uma mãe; ele adentra mais a selva, passa por flores, frutos e folhas cada vez mais admirado com tamanha beleza que até então desconhecera, isso mostra e nos possibilita sentir como nos acostumamos a ver a natureza sempre destruída e infértil explorada e violada pelo homem. Ele chega à parte mais profunda da floresta, porém não há mais floresta, mas somente uma flor pequenina, murcha e abandonada - aquela mesma do começo - ela representa a natureza que está sendo infinitamente explorada pelo homem, que deixou de ter cuidado com a natureza a tratando como mera fonte de matérias desrespeitando seus ciclos e seu limite, e não como algo inerte a nós seres vivos no geral, que necessitamos, sim, de seus recursos, mas de forma que respeite o direito a vida que todos temos.  

      O garoto poderia fazer como qualquer outro homem e deixar simplesmente a flor ao léu, mas não, ele escolhe ser diferente, nesse trecho o vejo como uma opinião do autor que eu mesmo compartilho, pois, sim, nós ainda podemos reescrever toda nossa história e corrigir todos esses equívocos, só é preciso cuidado. 

      O conceito do cuidar seria aquilo que mais nos seria útil para compreender como a natureza age com relação a nós e como nós temos que agir com relação a tudo, dela provém tudo de que precisamos para nossa existência: o ar, a água, o fogo e o solo, esses que são os quatro elementos básicos à existência de vida que nos foram prenunciados pelos primeiros filósofos ocidentais, mas no contexto da animação observamos o cuidado de uma criança para com a natureza, uma vez que o garoto não mediu esforços para tratar da flor e lhe trazer de volta à vida. Esse foi um ato de cuidado porque o conceito fundamental do cuidado está no prevenir danos futuros e resgatar danos já acontecidos, ou seja, ele buscou reparar os danos que já haviam sido feitos à flor, na esperança de que futuramente não tornassem a acontecer. 

      Já a flor, em forma de retribuição ao garoto, sacrifica uma de suas pétalas para que ele tenha conforto em seu tranquilo sono, isso nos mostra outra coisa presente também nesse conceito de cuidado como o de que tudo que eu cuido eu amo, tudo que eu amo, eu cuido. A flor também quer sanar as dores passadas dele que nesse caso seríamos nós todos nos trazer para perto da natureza novamente, mas dessa vez com mais cuidado. E, preocupado, corre e atravessa toda aquela imensidão e no meio dessa corrida esbarra com o besouro que havia capturado e que fica assustado com a presença do garoto.... Aqui convido você, leitor, a pensar na questão: a ação de medo do inseto representa como a natureza está em relação ao homem, amedrontada por tamanha ganância? Será que o nosso modo de agir com relação não só à natureza, mas ao nosso meio social não estão só nos legando cada vez mais dor e sofrimento? Pensemos com cuidado...

      Ele retira água do riacho e leva até a flor, mesmo a maior parte da água tendo sido perdida no caminho, ele a alimenta com aquilo que pode e a faz recuperar um pouco sua vida e corre mais algumas vezes em busca do bem sagrado,  fazendo a flor renascer não como uma flor comum, mas como a flor mais grande do mundo. Ele agora cansado de tantas descobertas, num só dia cai adormecido debaixo da sombra da flor, ela como uma mãe lhe dá uma de suas pétalas como cobertor para que não passe frio, a mãe natureza sempre deu tudo ao homem: seu alimento, casa, mas,  acima de tudo, nos deu amor, e contudo, o homem só quis se aproveitar demais desse amor e acabou se afastando de sua mãe; a natureza nunca nos esqueceu ou deixou de nos amar, por isso ela continua  nos amando como antes e nós só  precisamos nos reconciliar com ela.... 

Os pais do garoto sentem sua falta e ficam preocupados com ele quando percebem que ele adentrou aquele mundo tão estranho e adverso aos mesmos (nesse trecho vejo a família do garoto como uma personificação da sociedade atual) reforçando a ideia anteriormente discutida: o ser humano faz parte da natureza ou ele só a traz malefícios e a todos que a habitam (incluindo nós mesmos)? Novamente recorro a Boff (p. 08, s/data) que explora bem esse conceito: 

“O ser humano sempre interage intensamente com o ambiente. Nem o ser humano nem o ambiente podem ser estudados separadamente. Há aspectos que somente se compreendem a partir desta interação mútua, particularmente as florestas secundárias, toda a gama de sementes (milho, trigo, arroz etc) e de frutas que são resultado de milhares de anos de trabalho sobre sua genética. O atual sistema social é antiecológico e gerador de miséria

Dentro dos parâmetros da ecologia social devemos denunciar que o sistema social dentro do qual vivemos - a ordem do capital, hoje mundialmente integrado - é profundamente antiecológico. ”

       Portanto, essa separação do ser humano do seu meio ambiente nativo se dá pelo próprio capitalismo que já tendo dominado o mundo culturalmente, politicamente e economicamente também o quer puro para si, assim nos excluindo da natureza como se nós fôssemos nocivos a ela (ideia essa contraditória já que os maiores idealizadores dessa exploração são capitalistas e seu sistema de competição do vença o melhor) ideia essa já discutida anteriormente.

      Quando encontram o garoto se surpreendem, pois ao invés de assustado e desamparado ele está mais do que feliz está nos braços de nossa derradeira mãe protetora, a natureza, que nos auxilia sempre. Assim, o autor encerra a história dizendo “Este era o conto que eu queria contar. Tenho muita pena de não saber escrever histórias para crianças. Mas ao menos ficaram sabendo como a história seria, e poderão contá-la de outra maneira, com palavras mais simples do que as minhas, e talvez mais tarde venham, a saber, escrever histórias para crianças… Quem sabe um dia virei a ler outra vez esta história, escrita por ti que me lês, mas muito mais bonita? ...” 

      O cerne da questão aqui é a necessidade de nós nos reeducarmos e começarmos essa reeducação por nós mais velhos como o próprio autor diz numa outra citação “E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?  Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo tem andado a ensinar? ” Essa reeducação se faz necessária para que as próximas gerações possam recontar/refazer nossa história, só que de uma forma diferente, pois não adianta somente criticar o sistema existente na atualidade, mas faz-se necessário projetar (no sentido de sonhar) o novo, mas com o devido cuidado de não repetir os equívocos e erros de deixar de lado o ser humano e o meio ambiente.

      Concluindo, podemos tirar da obra de Saramago um tanto de esperança e aprendizado não só para as crianças a quem o livro é indicado, mas, sim, a nós jovens, adultos, idosos para que reaprendamos como nos relacionar melhor com a natureza, mas não somente com ela e, também, entre nós mesmos, o mundo vem nos impondo lógicas baseadas em ditaduras de belezas, riquezas, prazeres e estamos esquecendo de como é viver respeitando as diferenças e limitações uns dos outros. 

      Tudo envolve competição o que mostra como somos sim capitalistas; na escola competimos pelas melhores notas e por destaque, no trabalho por melhores postos para sermos o funcionário do mês nos esportes pelo primeiro lugar tudo leva a uma disputa onde só um vence, o que exclui a solidariedade, o diálogo e o consenso, assim como afoga a sensibilidade ao próximo, a ternura e principalmente a colaboração sem segundas intenções (BETTO, p. 01, s/data). 

      Faz-se necessária a presença da solidariedade muito bem expressa na relação entre o garoto-flor, já que é mister: ajudando o outro todos vencemos, todos crescemos, todos somos beneficiados, nós nascemos da solidariedade e do amor de nossos pais que se juntaram não em busca de prazeres do corpo, mas, sim, de auxílio um do outro porque sozinhos somos metade, mas juntos somos mais completos e esses são valores que precisam ser resgatados para que possamos viver plenamente o que chamamos democracia, um governo de todos e não de poucos. Essa obra é a expressão daquilo que o ser humano sempre teve e sempre terá em tempos de provação e contestação: esperança, a fé no dia em que seremos melhores.0


Nome: Matheus Eduardo de Pontes Pereira Série: 2ªB

Referências:
A MAIOR FLOR DO MUNDO. Disponível em: http://clinicataniahouck.com.br/blog/?p=506. Acesso em: 25, out, 2015.

BOFF, Leonardo. Ecologia Social. Disponível em: http://leonardoboff.com/site/vista/outros/ecologia-social.htm. Acesso em: 01, nov, 2015.

BETTO,  Frei. Qual Ecologia? Disponível em: www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/abrirPDF/124. Acesso em: 22, dez, 2015.






 Análise crítica Muito além do peso   

  

 O documentário “Muito além do peso“ (RENNER, 2012) apresenta como principal assunto a obesidade infantil criticando,  principalmente, as indústrias de alimentos que são os grandes agentes  e responsáveis por trás  desse problema. O filme busca tratar sobre alimentos industrializados que se tornaram grandes vilões para nossa população, não sendo restrito somente à adultos, mas abrangendo todas as faixas etárias, com grande foco às nossas crianças.

    O início do documentário é chocante por fazer uma comparação entre doenças causadas pela “dieta industrializada” e o  homicídio para demonstrar que as pessoas estão tão  preocupadas com a violência, não vendo que em muitos países (por exemplo os Estados Unidos) o maior fator de mortalidade é a obesidade e que o governo estadunidense até o momento não conseguiu resolver.  É preocupante ver que esse nosso mundo globalizado trouxe tantos problemas para nosso principal bem que é a saúde corporal. A praticidade tomou conta da nossa rotina, a opção de alimentos congelados, fast-food, refrigerantes e todos que têm origem industrializada, nos trouxe a facilidade de preparar um alimento em 3 minutos, não precisando mais gastar tanto tempo em cozinhar vegetais, cortar frutas... mesmo sabendo que  esse tempo de cozinhar seja  revertido para o beneficio do nosso organismo.

dicasperderpesoonline, 2015
As crianças obesas ou acima do peso se tornaram alienadas e reféns de uma alimentação não saudável, deixando seu paladar limitado à comidas “maximizadas” em  doce, salgado e alto teor gorduroso. O sentido de saborear um vegetal, uma fruta e um legume nunca será para uma criança – a maioria que come alimentos industrializados - o mesmo de comer um salgadinho, um achocolatado ou um doce, porque sempre vai faltar o sal e o açúcar. As indústrias induzem as crianças a ficarem reféns dessa má alimentação a ponto delas não conhecerem nem o formato ou sabor de determinadas alimentos naturais. O consumo frequente desses alimentos impuros traz para o organismo um malefício muito grande, de maneira que o diagnóstico de uma criança obesa pode ser comparada a de um idoso de 60 anos com  doença cardíaca, diabetes e colesterol alto (BRITO, S/DATA).

   A crítica central do documentário é a relação de indústrias alimentícias com as crianças e a de pais e filhos sobre a má alimentação. As indústrias, por exemplo, o McDonalds é uma empresa de fast-food, que obviamente quando criou seu lanche - que vem acompanhado de um brinquedo e é chamado Mc Lanche Feliz -  visava, e ainda o faz, totalmente em alcançar o maior número de consumidores infantis. Os pais são exemplo para os filhos, como podemos ver no início do documentário, quando o menino chamado Yan de apenas 4 anos  vê seus pais em plena filmagem tomando refrigerante e falando  que ele não poderia tomar;  essa atitude comum em muitas famílias que não praticam a ação de ter uma alimentação  saudável junto a seus filhos, contrariando e deixando-os  cada vez mais confusos sobre ser ou não certo ter uma dieta benéfica.
     Na análise de LINN (2008) as crianças simplesmente procuram um entretenimento mais sedentário possível, que é a TV e o celular,  dois itens que se tornaram atualmente o  principal  “brinquedo” dessa geração, não precisando mais correr e pular para se divertir, fazendo com que as crianças queimem um mínimo possível de calorias do que elas ingerem. De outro lado estão os refrigerante, x-burguer e doces que antes eram alimentos só para ocasiões especiais, como natal, aniversário e comemorações, e hoje fazem parte da rotina de muitas famílias. Essas situações entre muitas outras que ocorrem são juntas a soma para um resultado fatal que é a obesidade, além do colesterol, da pressão alta, da diabetes e o câncer estarem ironicamente estampados em cada alimento processado que compramos, mas travestidos de nutrientes e ingredientes. 



A McDonald's in Panorama City, Los Angeles, 
California designed to promote a family-friendly image
  Uma estratégia interessante criada pelas lojas de fast-foods como Mcdonalds é usar de playgrounds como ferramenta para chamar mais ainda a atenção das crianças, fazendo com que o ambiente se torne cada vez mais infantil para atrair o consumidor mais influente de uma família: os filhos. Um lugar com muitas cores, divertido e atraente é o que as crianças veem quando passam na rua com seus pais, sendo inevitável que a criança vá a um estabelecimento desses, muitas vezes por causa dos brinquedos e não para comer. Está nítido o principal alvo dessas empresas alimentícias que usam de todas as táticas e maneiras oportunistas para alcançar um grande número de clientes, trocando um veneno por dinheiro.

      Esse documentário deve ser exibido tanto às crianças quanto aos pais como uma forma de conscientização das famílias brasileiras. Aos pais a obesidade infantil é uma frustração, não há muitas vezes alternativas para escapar ou tentar vencer esse bombardeamento da mídia em cima da criança. Os pais são os responsáveis pelas crianças, porém eles não conseguem tampar a visão de seus filhos a todo momento, com tantas propagandas de alimentos com embalagens  instigantes. O  governo precisa apoiar os pais  no combate a mídia infantil mas de uma  forma menos passiva, para que assim se evite um consumo excessivo de determinadas produtos e alimentos (LINN, 2013). 

     O filme também deveria ser exibido às crianças na escola porque é totalmente contraditório as instituições de ensino muitas vezes falarem sobre saúde e educação alimentar, mas não agir, por exemplo, preparando  uma merenda saudável que contenha o mínimo de  alimentos processados ou congelados. É óbvio que muitas escolas não são culpadas, pois há toda uma burocracia governamental ou estatal atrás de uma simples merenda, porém seria um grande passo a ser dado para bloquear de certa forma uma porcentagem das situações que provocam a obesidade infantil. Há muitas soluções que poderiam ser feitas em relação a essa pandemia moderna, mas o problema maior é que quase todos os meios como TV, internet, videogame e até mesmo livros têm propagandas que estão diretamente ligadas a má alimentação em lojas de fast-food (LINN, 2013), as pessoas são influenciadas todos os dias pela mídia de alimentos que promove a existência de uma grande alienação entre o mote “faz mal, mas é saboroso” e a vida real.
                                 
      Esse habito alimentar é preocupante e se torna cada dia mais problemático. As pessoas precisam abrir os olhos para ver que tipo de alimento estão ingerindo, se esse  alimento trará algum beneficio para sua saúde ou se ele se transformará em futuras doenças ou em muitos outros transtornos ao seus organismos. É uma triste realidade essa que vemos e vivemos todos os dias quando esses alimentos se tornam nosso  próprio suicídio ou vício  que é tão bem mascarado e fantasiado pelas empresas de propagandas e marcas,  e  não  vemos que ele está tão próximo. Assim como sugerido no filme, deveria existir um adesivo nos alimentos industrializados para conscientizar e alertar a população a que tipo de consequência estamos sujeitos a adquirir  quando consumimos  um desses alimentos (MOURA, 2012).


      Los Intocables, do artista cubano Erik Ravelo (2013)

     Encerramos essa pequena análise com uma reflexão visual proposta pelo artista Erik Ravelo (2013) que fez a montagem do palhaço Ronald MacDonald’s como sendo uma cruz que prega uma criança consumidora/consumista como parte do calvário de sofrimento alimentar. Será que aquilo que te satisfaz se tornará em sua própria cruz (?), uma imagem crítica e visualmente impactante é o que nos mostra a realidade escondida atrás de um palhaço do Mc Donalds. Obviamente isso não é a realidade para todas as crianças do mundo, mas aquelas que são atacadas e atingidas por essas empresas alimentícias se tornam (em sua maioria) alienadas dos  prazeres como um brinquedo com x-burguer ou um x-burguer com brinquedo; não é necessariamente (ou somente) o  lanche  e sim colecionar um brinquedo que representa um personagem dos desenhos da Disney - ou outros estúdios que firmam acordos comerciais - e comprar no Mc Donalds mesmo esta empresa se tratar apenas de mercadorias alimentícias, visando alcançar o maior número de consumidores infantis. Tamanha é a alienação das pessoas a respeito desse tipo de dieta, que a grande maioria desconhece até onde esses alimentos possam ter se originado em tão larga escala, e terem alcançado um grande número de pessoas e desconhecem também  dados concretos e certos/definitivos sobre seu alcance em nível nacional e mundial. Uma explicação próxima sobre sua origem seria o caos que se instalou na maioria dos países após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e que só foi sendo superado gradativamente durante o período da Guerra Fria (19450-1990), como por exemplo, um aumento em larga escala da produção de alimentos processados. Nesse sentido, Cooper (2012) propõe a todos uma reflexão sobre a mudança significativa e brusca na cultura alimentar de países ocidentais nesses últimos 50 anos, quando os alimentos processados industrialmente ganharam mais espaço em declínio dos alimentos saudáveis que acabaram sendo colocados em nível secundário. Mas esse assunto deve ser melhor estudado em outro momento...

Nome: Juliana Camargo – Estudante do 2º ano do Ensino Médio - Escola Etec  de Registro (SP)

REFERÊNCIAS:

CRIANÇA E CONSUMO. Marketing de alimentos faz mal à saúde das crianças. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vKjZVZEBAdM/2013. Acesso em: 15, nov, 2015. 

A MCDONALD’S IN  PANORAMA  CITY, LOS ANGELES, CALIFORNIA DESIGNED TO PROMOTE A FAMILY-FRIENDLY IMAGE. Disponível em: http://mundodasmarcas.blogspot.com.br/2006/05/mcdonalds-inveno-do-fast-food.html. Acesso em: 20, nov, 2015.

BRITO, John.  Muito além do peso – Resumo do resumo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=op9Ge0hZy10. Acesso em: 10, Nov, 2015. 

COOPER, Ann. Lupa no rótulo - Muito alem do peso. Disponível em: http://www.muitoalemdopeso.com.br/extra/ann-cooper. Acesso em: 02, dez, 2015.

DICAS DE PERDER PESO. Disponível em: www.dicasperderpeso.com/ Acesso em: 23, Nov, 2015.

LINN, Susan. Consumismo e aprendizagem. Palestra proferida no Brasil no  2º Fórum Internacional Criança e Consumo em setembro de 2008 e promovida pelo Instituo Alana. Disponível em: https://vimeo.com/14936001. Acesso em: 12, nov, 2015.

MOURA, Andreia. Lupa no rótulo - Muito alem do peso. Disponível em: http://www.muitoalemdopeso.com.br/extra/andreia-moura. Acesso em: 02, dez, 2015.

MUITO ALÉM DO PESO – OFICIAL. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8UGe5GiHCT4. Acesso em: 01,out, 2015.

RAVELO, Erik. Los Intocables. Disponível em: http://iphotoeditora.com.br/blog/index.php/serie-de-fotos-polemica-faz-critica-sobre-crises-infantis/2013. Acesso em: 08, nov. 2015.

RENNER, Estela. Muito além do peso. Instituto Alana/USP, 2012. Disponível em:  https://www.youtube.com/watch?v=8UGe5GiHCT4. Acesso em: 06, out, 2015.


3 comentários:

  1. Muito obrigado professora por ter dedicado um momento do seu tempo com nossas analises e muito gratificante para mim ter esse reconhecimento,mas mais gratificante ainda saber que existem pessoas como a vc e o prf Claudio que abrem espaço a novas experiencias no âmbito escolar. Muito obrigado professora!!!

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    1. Eu que agradeço pela participação de vocês! Precisando estou as ordens!

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  2. Sou grata ao Prf Cláudio pelo incrível projeto o qual eu amei participar e a senhora também por compartilhar e incentivar essa aventura cultural. Confesso que sou fã das postagens da senhora , participar de uma postagem aqui no blog me deixou MUITO feliz!! Muito obrigada pelo apoio , um mega abraço !!! :)

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