segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

AFRICANOS NO BRASIL: DOMINAÇÃO E RESISTÊNCIA


Havia escravidão na África antes dos europeus no século XVI?

Segunda a professora Leila Hernandez, sim. Nas sociedades tradicionais africanas, o principal motivo que levava a escravidão era

Profª Leila Hernandez

  • A GUERRA ENTRE DIFERENTES POVOS.
  • Os vencedores aprisionavam, vendiam e escravizavam os que perdiam



MOTIVOS DA ESCRAVIDÃO ENTRE AS TRIBOS  AFRICANAS:
  • A fome: trabalhavam em troca de comida
  • A punição judicial: um criminoso era condenado à escravidão
  • A penhora humana: a pessoa se oferecia como garantia de um empréstimo
CARACTERÍSTICAS DA ESCRAVIDÃO AFRICANA


  • Trabalhos exaustivos
  • Trabalhar no exército do governo
  • Trabalhar para seu dono por um tempo de 2 à 4 anos
GUERRA, ESCRAVIDÃO E TRÁFICO ATLÂNTICO


  • Havia guerras para conseguirem pessoas para serem vendidas
  • As guerras podem ter sido a consequência mais grave da chegada do europeu na África
ESCRAVIDÃO NO BRASIL - SÉC. XVI


  • Nordeste brasileiro - produção de açúcar
  • Mercadores portugueses + reis africanos = negociar pessoas 
  • O comércio de escravizados da África para o Brasil durou 350 anos
  • Trocavam os africanos por: tecido, pólvora, armas de fogo
  • Revendiam os africanos no Brasil - acumularam fortunas
QUANTOS ERAM E DE ONDE FORAM TRAZIDOS?


  • Segundo David Eltis, 12,5 milhões de escravizados deixaram a costa da África
  • Entre 1500 e 1867
  • Dos 12,5 milhões , 4,9 milhões vieram para o Brasil.
  • Os africanos contribuíram para a nossa cultura



DE QUE LUGARES DA ÁFRICA FORAM TRAZIDOS OS ESCRAVIZADOS?


  • A maioria - sul do Equador (portos de Benguela, Luanda e Cabinda)
  • Outros da Costa da Mina (portos de Lagos, Ajudá e São Jorge da Mina)
  • Uma minoria - do porto de Moçambique
COMO OS AFRICANOS ERAM CHAMADOS NO BRASIL?


  • Eram chamados pelo nome dos portos onde eram desembarcados
  • Ex: Um africano de etnia bacongo era chamado de Cabinda por conta do nome do porto onde ele embarcou.
  • Ex: Africanos desembarcados na Costa da Mina , eram chamados de mina. 
A TRAVESSIA PELO OCEANO ATLÂNTICO  E A VENDA DE ESCRAVOS

Foto de um navio negreiro em 1882, feita por Marc Ferrez.

  • Navios negreiros traziam homens , mulheres e crianças
  • A viagem da África ao Brasil durava de 30 a 45 dias.
  • Condições péssimas de viagem: pouca comida e de má qualidade
  • Cada escravizado recebia um copo de água a cada dois dias
  • Alguns bebiam água do mar e adoeciam.
  • Chegavam ao litoral confusos e cansados sem saber onde estavam
  • Eram examinados, avaliados e comprados em : Rj, Salvador, Recife e São Luis
  • Um homem adulto valia o dobro de uma mulher e três vezes mais que um idoso e ou uma criança
  • Podiam ser vendidos, alugados e leiloados para pagar as dívidas do dono
  • Não tinham direito ao próprio nome


O TRABALHO

Debret

  • Trabalhavam de 12 a 15 horas por dia
  • Começavam entre 4 e 5 horas da manhã e iam até o anoitecer
  • Domingos e feriados de manhã, eles consertavam cercas, estradas e outros serviços.
  • Homens: agricultores, carpinteiros, ferreiros, carregador, pescador...
  • Mulheres: cultivar a terra, cuidar d doentes, colher e moer cana, lavar, passar, fazer partos, vender doces e salgados...
  • Havia afrodescendentes libertos pois conseguiam a carta de alforria, obtida após longos anos de trabalho.
  • A cultura africana mudou nosso modo de viver
ALIMENTAÇÃO

  • Uma cuida de feijão, uma porção de farinha de mandioca ou milho
  • Rapadura e charque , de vez em quando
  • Alimentação pobre em proteína que gerava doenças e envelhecimento precoce
  • Muitos com 35 ou 40 anos eram descritos como pessoas de 60 anos. 
A VIOLÊNCIA


O tronco é um dos mais famosos e cruéis castigos usado nos escravos considerados ‘rebeldes’. O indivíduo tinha a roupa arrancada e era preso por algemas e correntes em um tronco reto de pouco mais de 2 metros de altura.
  • Eram vigiados por feitores
  • Castigados por qualquer coisa. Ex: fazer pausa para descansar ou se distrair
  • Eram usados : palmatória (para golpear as mãos e causar inchaço e dor), gargalheiras (colocada no pescoço para dificultar os movimentos)e máscara de flandres (impedia a pessoa de se alimentar)
ANJINHO

Anjinhos são anéis de ferro com parafusos presos a uma tábua, usado para apertar os polegares de torturados e fazê-los confessar. Foi também um instrumento de tortura utilizados em escravos a bordo dos navios comerciantes de escravos no Oceano Atlântico.


MÁSCARA DE FLANDRES
Máscara de Flandres era uma espécie de máscara, fabricada com folha de flandres, usada no período da escravidão no Brasil, pra impedir que os escravos ingerissem alimentos, bebidas ou terra.


CORRENTES
"Os fugitivos capturados são forçados a fazer o trabalho mais difícil e mais árduo. Eles normalmente são presos em correntes e são conduzidos em grupos através de bairros da cidade onde eles carregam cargas ou varrem lixo nas ruas. Este tipo de escravo tem tanto medo disso que apesar de ter perdido toda a esperança em fugir novamente, eles não pensam em nada mais que o suicídio. Eles envenenam-se bebendo de uma só gole uma grande quantidade de bebidas fortes, ou se sufocam engolindo terra.


FERIDAS
Depois de levarem chicotadas, alguns escravos ainda sofriam mais essa punição: tinham as feridas esfregadas com sal, suco de limão ou qualquer outra substância que causasse extrema dor além de garantir que as cicatrizes fossem acentuadas.

CORRENTES NO PESCOÇO
Como você já deve ter visto em registros, era comum usar grandes e pesadas correntes de ferro que prendiam os escravos pelo pescoço com o objetivo de evitar fugas. Esse método era usado principalmente durante o transporte entre regiões e causava dor, desconforto e sufocamento.

AÇOITE - CHICOTE
açoite - chicote feito de cinco tiras de couro retorcido com nós;
era utilizado para punir pequenas faltas ou acelerar o ritmo de trabalho


NEGRA ANASTÁCIA

Cena da novela Liberdade Liberdade

  • Viveu no século XVII em Minas Gerais
  • Negra de olhos azuis, altiva e bonita
  • Por despertar ciúmes na mulher de seu senhor, foi obrigada a usar a máscara de flandres
  • Por conta dos maus tratos morreu ainda jovem
  • Em 1968, na Igreja do Rosário - RJ - Anastácia foi homenageada e descrita como santa por conta de milagres atribuídos a ela.
  • Não se sabe se ela existiu realmente, não há provas de sua existência


A RESISTÊNCIA
  • Causas: maus tratos, trabalho pesado, castigos, disciplina rigorosa, o não cumprimento da palavra do senhor quando juntavam dinheiro para comprar a alforria.
  • Resistiam praticando religiões de origem africana


capoeira


  • Jogavam Capoeira
    Faziam festas: congado, reisado, jongo e irmandades (culto aos santos, decorar a igreja, assistência de ordem material e espiritual.
  • Desobediência, fazendo corpo mole no trabalho
  • Quebrando ferramentas, incendiando plantações
  • Suicídio, agressão aos feitores e senhores
  • Fugas e quilombos
QUILOMBOS


  • Uma das principais formas de luta contra a escravidão
  • Existiu por toda a América escravista
  • Quilombo de Palmares foi o mais duradouro no Brasil
  • Iniciou em 1597 com 40 escravizados que fugiram de um engenho do litoral de Alagoas.
  • Por conta da quantidade de palmeiras, chamou-se PALMARES
  • Com a invasão dos holandeses no Nordeste, aumentaram as fugas e a população dos quilombos.
  • Palmares chegou a ter 15 mil habitantes.
  • Em Palmares não havia só africanos, havia também brancos pobres e indígenas expulsos de suas terras pelos colonos.
  • Os palmarinos viviam em liberdade e em mocambos (povoados)
  • Plantavam milho,feijão, mandioca, batata-doce
  • Criavam porcos e galinhas
  • Caçavam cotias, raposas, tatus
  • Confeccionavam objetos de cerâmica, palha trançada e madeira
  • Faziam vasos, enxadas, pás e pilões
  • A produção era dividida
  • As sobras eram guardadas para épocas de guerra, colheita ou festa ou trocadas nas vilas vizinhas ( Porto Calvo, Sirinhém e Alagoas


A GUERRA
  • O quilombo dos Palmares era detestado pelos senhores de engenho porque abrigava fugitivos e afrontava a ordem escravista.
  • Foram enviadas várias expedições para destruir o quilombo de Palmares
  • As primeiras expedições foram derrotas 
  • Zumbi se destacou entre os habitantes de Palmares (nasceu no quilombo)
  • A guerra se prolongou por décadas
  • Em 1690, Domingos Jorge Velho foi enviado para destruir Palmares
  • Superioridade militar+abertura de novos caminhos+maior conhecimento da Serra da Barriga= fim de Palmares
  • Em 6 de fevereiro de 1694, a "capital" de Palmares foi incendiada
  • Mocambos foram destruídos
  • Zumbi escapou ferido e resistiu por vários meses
  • Zumbi foi traído por um de seus homens de confiança e foi morto em 20 de novembro de 1695


  • O dia da morte de Zumbi serviu para refletir com profundidade sobre o RACISMO no Brasil
  • Encontrar novas formas de superar o RACISMO
REMANESCENTES DE QUILOMBOS
  • Ainda hoje no Brasil existem povoados habitados por remanescentes de quilombos.
  • São mais de 80 mil pessoas vivendo de forma parecida com seus antepassados
  • Em algumas comunidades ainda conservam termos africanos.
  •  A Constituição de 1988, reconheceu a propriedade definitiva das terras ocupadas por comunidades quilombolas.
ARTIGO 68 DA CONSTITUIÇÃO DE 1988

"AOS REMANESCENTES DAS COMUNIDADES DOS QUILOMBOS QUE ESTÃO OCUPANDO SUAS TERRAS É RECONHECIDA A PROPRIEDADE DEFINITIVA, DEVENDO OS ESTADOS EMITIR-LHES OS TÍTULOS RESPECTIVOS"

  • Até agora foram concedidos poucos títulos de propriedade pois há dificuldade em documentar a posso de área de forma juridicamente aceita.
  • Muitas dessas terras são cobiçadas por fazendeiros e algumas estão localizadas em áreas de mananciais e reservas de extração vegetal e mineral.
  • Muitos habitantes dos quilombos travam uma luta árdua para provar que são descendentes de escravizados e que as terras em que vivem lhes pertence.  

ALGUMAS MENTIRAS SOBRE A ESCRAVIDÃO QUE VOCÊ ACREDITOU A VIDA INTEIRA

sábado, 26 de novembro de 2016

FIDEL: O REVOLUCIONÁRIO DO SÉCULO XX



Líder autoritário ou simplesmente um tirano para meia humanidade, lenda revolucionária e flagelo do “imperialismo ianque” para os mais despossuídos e para a esquerda militante, Fidel Castro era o último sobrevivente da Guerra Fria e certamente o ator político do século XX que mais manchetes de jornal acumulou ao longo de seus 47 anos de domínio absoluto em Cuba, um poder caudilhista que começou no dia 1º. de janeiro de 1959, após derrotar pelas armas o regime de Batista. Nem mesmo no ocaso de sua existência, depois que uma doença o afastou do Governo em 2006, sua influência desapareceu da ilha que sempre foi pequena demais para ele, pois Fidel a concebia como uma peça a mais no grande jogo da revolução universal, seu verdadeiro objetivo na vida.


AS ORIGENS
  • Em 13 de agosto de 1926, nascia no povoado de Birán
  • Nome: Fidel Alejandro Castro Ruz
  • Filho de um produtor de cana-de-açúcar  - Ángel Castro Argiz
  • A mãe: Lina Ruz González (era doméstica e amante de seu pai)
  • Tinha seis irmãos


Mãe de Fidel Castro:
Lina Ruz González
Pai de Fidel Castro:
Ángel Castro Argiz















A VIDA DE ESTUDANTE


  • Com 6 anos foi estudar em Santiago de Cuba com uma professora  particular. Segundo Fidel, a professora o abandonou e ele chegou a passar fome.
  • Aos 8 anos foi batizado na Igreja Católica Romana e por isso ingressou no Colégio La Salle (1935) em regime de internato. Ao que tudo indica, foi um aluno indisciplinado. Segundo Fidel, sua indisciplina se deu pela revolta contra o autoritarismo dos professores.
  • Aos 11 anos vai para o Colégio Dolores (1938)
  • A imagem ao lado mostra Fidel quando criança, na época em que estudava no Colégio Dolores, por volta dos anos 1940-1941
  • Segue sua escolaridade no Colégio Belém em Havana (colégio jesuíta) - 1942-1945
  • 1945- inicia o curso de Direito na Universidade de Havana

Colégio Belém em Havana



Fidel (com pirulito na boca) ainda quando estudava no Colégio de Dolores,colégio jesuíta. Na época da foto ele tinha 14 anos de idade, sedestacava pela ótima oratória e inteligência
Fonte da imagem AQUI



Na foto, Fidel com 19 anos , conclui o bacharelado.
Cinco anos mais tarde, formava-se em advocacia.
Fonte da imagem AQUI




Universidade de Havana


A CARREIRA POLÍTICA


  • Após graduar-se em Direito, passa a defender os trabalhadores e sindicatos em oposição ao governo
  • Admirava o anti-imperialismo e era contra a intervenção dos Estados Unidos no Caribe
  • 1946- Criticava o governo de Ramón Grau (presidente de Cuba que assumiu no lugar de Fulgêncio Batista)
  •  1947- entrou para o Partido Socialista do Povo Cubano (ortodoxo), fundado por Eduardo Chibás (se candidata a presidente de Cuba)
  • Chibás perde a eleição mas Fidel dá continuidade a seu trabalho
  • A violência estudantil nas universidades cubana aumenta e Fidel é ameaçado de morte
  • Fidel não deixou a universidade de Havana , apesar das ameaças e passou a andar armado juntamente com seus amigos
  • Fidel e seus aliados foram acusados de assassinatos, porém não existem provas.

O GOLPE DE ESTADO DE FULGÊNCIO BATISTA
 ZALDÍVAR

O ditador Fulgêncio Batista
  • Fulgêncio foi presidente de Cuba de 1940-1944
  • Grau San Martín se candidatou a presidente de Cuba , mas perdeu para Fulgêncio Batista
  • Fulgêncio Batista vai para os EUA enriquecido e se afasta da política cubana durante os mandatos de Grau e Carlos Prio.
  • Após Grau, foi eleito para presidir Cuba, Carlos Prio Sacarrás em 1948. (apoiava Fidel Castro)
  • Fulgêncio volta subitamente à Cuba, exilou Sacarrás 
  • Fulgêncio governou através de uma ditadura de 1952-1959
  • Governou com extrema violência e corrupção





TENTATIVAS DE DERRUBAR FULGÊNCIO:
  • 1953- Fidel (e seu irmão Raul Castro )liderou um movimento para tomar o Quartel de Moncada, em Santiago
  • A polícia d Fulgêncio Batista conseguiu vencer Fidel e este junto a seu irmão, Raul Castro, se entregaram. 
  • Foram condenados a 15 anos de cadeia
  • Menos de um ano depois foram anistiados (pressões da opinião pública)
Ramón Grau de San Martín


Carlos Prío Sacarrás


A REVOLUÇÃO CUBANA
  • 1953- Fidel refugia-se no México
  • 1956- Volta ao sudeste de Cuba com 82 companheiros
  • Quase todos foram mortos pelo exército de Cuba
  • Entre os sobreviventes estavam: Fidel Castro, Raul Castro e Ernesto "Che" Guevara
Che Guevara, Raul Castro e Fidel Castro

  • Esconderam-se em Sierra Maestra 
Os revolucionários cubanos em Sierra Maestra -
Sierra Maestra é uma região serrana de Cuba. 
A Sierra Maestra é uma cordilheira que se estende 
para o oeste em todo o sul da antiga província de Oriente,
na atual Província de Guantánamo
 para Niquero, no sudeste de Cuba
  • Apesar das perseguições, os simpatizantes da guerrilha cresciam a cada dia.
  • Em março 1957 um grupo de jovens guerrilheiros entraram no palácio de Fulgêncio Batista e quase o mataram.
  • 1958- a guerrilha conseguiu paralisar os meios de comunicação em Cuba
  • 01//01/1959- Fulgêncio Batista fugiu para a República Dominicana
  • VITÓRIA DA REVOLUÇÃO
Fidel discursa no centro de Havana após a queda do governo de Fulgêncio Batista

CONSEQUÊNCIAS DA REVOLUÇÃO
  • Fidel assume como primeiro-ministro de Cuba
  • O poder estava concentrado em Fidel Castro
  • Em maio de 1961 Fidel afirmava que Cuba seria socialista
  • Em dezembro de 1961 - mostrou-se mais marxista-leninista que socialista
  • Criou tribunais populares para julgar e fuzilar seus inimigos políticos (paredón)
  • Cuba alia-se a URSS
  • Conflitos: Cuba X EUA
  • 1959- início da Reforma Agrária
  • Estatizou bancos, minas e latifúndios norte americanos em Cuba
  • Junho de 1960- nacionalizou a Texaco e outras refinarias de petróleo norte americanas
  • Junho de 1960- EUA suspende a compra do açúcar cubano - prejuízo de 150 milhões de dólares anuais para Cuba.
  • EUA suspenderam exportações para Cuba (menos alimento e remédio)
  • EUA impediram viagem de norte americanos à Cuba
  • Fidel nacionaliza nacionaliza todos os bens norte-americanos (usinas de açúcar, hotéis, minas, fábricas...)
  • Janeiro de 1961 - o presidente dos EUA, Eisenhower, rompeu relações com Cuba
Presidente dos EUA Eisenhower -
foi o 34º Presidente dos Estados Unidos de 1953 até 1961

  • Abril de 1961, o presidente dos EUA John Kennedy, aprovou o plano de desembarque de exilados cubanos na Baía dos Porcos. 
  • A Invasão da Baía dos Porcos (conhecida em Cuba como La Batalla de Girón ) foi uma tentativa frustrada de invadir o sul de Cuba empreendida em abril de 1961 por um grupo paramilitar de exilados cubanos anticastristas (a chamada Brigada de Assalto 2506). 
  • O grupo fora treinado e dirigido pela CIA, com apoio das forças armadas americanas. O objetivo da operação era derrubar o governo socialista de Fidel Castro.
Presidente dos EUA John Kennedy,
35° presidente dos Estados Unidos, de 1961-1963

  • Até 1965, saíram clandestinamente de Cuba 350 mil cubanos.
  • Na região da Flórida - EUA, existem milhares de pessoas que nasceram em Cuba.

A URSS INSTALA MÍSSEIS EM CUBA
  • Em 1962, os EUA bloquearam Cuba por descobrirem que o país estava recebendo mísseis vindos da ex-URSS.
  • EUA planejaram invadir Cuba e até mesmo a ex-URSS
  • Havia um grande risco de uma guerra nuclear
  • Em outubro de 1962 - a ex-URSS aceita retirar os mísseis, porém, os EUA teriam que retirar os deles da Turquia
  • Tudo resolvido
  • Até 1974, os EUA tentaram de todas as formas embargar o desenvolvimento de Cuba
  • Em 1974, os EUA aceitaram exportam alguns automóveis para Cuba
  • No governo do presidente dos EUA, Jimmy Carter, os norte americanos abriram um escritório em Havana para que Cuba tivesse uma representação em Washington
  • Aumentou , entre 1980 e 1981, a emigração de cubanos para os EUA- Flórida
Jimmy Carter, foi o 39º presidente dos EUA
governou de 1977-1981
  • No governo de Ronald Reagan (EUA), as relações entre Cuba e EUA pioraram. 
 Ronald Reagan
40º presidente dos EUA. 1981-1989

COMO O HISTORIADOR MARXISTA ERIC 
HOBSBAWM VÊ A REVOLUÇÃO CUBANA




  • A aura romântica com o tempo se perdeu
  • Várias atitudes de Fidel causaram indignação mundial em várias ocasiões (ex: fuzilamento de opositores do regime cubano)
  • Para se autopreservar, o Estado Cubano passou a cometer crimes semelhantes aos que foram motivos da revolução.
Do gesto de heroísmo romântico à ditadura desumana, a Revolução Cubana comprovou, infelizmente, os dois extremos do pensamento da filósofa Hanna Arendt:




A MORTE DE FIDEL - 25 DE NOVEMBRO DE 2016 - SANTIAGO DE CUBA- CUBA

  • A notícia da morte de Fidel foi encarada de forma diferente 
  • Fidel, o herói para uns, principalmente a população mais velha de Cuba, que viu de perto esse trecho recente da história
  • Os cubanos mais jovens carregam uma mentalidade menos romântica da revolução e reclamam do isolamento em que vivem.
VEJAM ESTE DOCUMENTÁRIO SOBRE FIDEL CASTRO








































quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A ORIGEM DOS CEMITÉRIOS

Escultura de um cemitério de São Paulo
 Uma Breve História dos Cemitérios


Para que se possa entender a história dos cemitérios, é necessário refletirmos a cerca da evolução da concepção da morte que nortearam as práticas de enterramento desde os primórdios da humanidade. É a partir de uma determinada crença sobre a morte que justificará o destino que os vivos darão aos mortos. Só tendo como guia o imaginário da morte que compreenderemos as várias formas de enterramento na história humana.

Lewis Mumford nos coloca algo interessante acerca da origem dos cemitérios, expondo que “a cidade dos mortos antecede a cidade dos vivos”, uma vez que: “Em meio às andanças inquietas do homem paleolítico, os mortos foram os primeiros a ter uma morada permanente: uma caverna, uma cova assinalada por um monte de pedras, um túmulo coletivo”. O que podemos tirar disso é que, desde os primórdios da humanidade, a preocupação com o “lugar do morto” já se mostrava presente.

No período Neolítico, os cadáveres eram colocados em cavernas naturais onde a entrada era fechada por uma rocha. “Eis a primeiras sepulturas dos povos neolithicos as quais não tardam a sofrer numerosas variantes, segundo o grau de civilização de cada grupo ou tribo, segundo os climas e a constituição geológica do terreno ocupado”. Mas as cavernas não davam conta dos mortos, então passaram a construir sepulturas artificiais.

Embora as cavernas representem as primeiras formas de sepulturas, elas não serão as formas predominantes de enterramento no período Neolítico. Havia o chamado dolmens, que em betão significa mesa de pedra, círculo de pedra ou pedra erguida. Embora tivesse havido dolmens em tamanhos colossais – 12 ou 15 metros de diâmetro – geralmente o dolmens era : [...] formado por quatro lousas toscas collocadas n’uma cova e cobertas por uma quinta apenas apparente á superfície do solo.Tem a fórma d’uma pyramide troncada medindo approximadamente um metro em largura e profundidade, de modo que o cadaver só pode alli ser recolhido assentado e dobrado sobre si mesmo. 

Percebemos, então, que os primeiros seres humanos já demonstravam um certo respeito pelos seus mortos, reservando-os um lugar adequado para eles. Seja pelo mal da putrefação do cadáver, ou pela inexplicável razão para desaparecimento repentino da força motora do corpo, o morto foi ganhando o seu espaço e dedicação no mundo dos vivos. Muitos povos, mesmo não compreendendo o motivo para a perda da atividade motora, sabiam que se tratava de um novo estágio do corpo. Então alimentavam a crença de que, nesse outro estágio, os mortos continuavam a ter as mesmas necessidades das que tinham em vida. Por isso os mortos eram enterrados usando os objetos que mais gostavam, além de ainda serem postos alimentos sobre suas sepulturas .

O cemitério da vila de Spânia, na Romênia, é conhecido como o Cemitério Alegre devido à forma como os amigos e parentes homenageiam os falecidos. As tumbas são coloridas com desenhos de arte primitiva moderna, que se assemelha com pinturas de crianças, que descrevem as pessoas enterradas, assim como cenas de suas vidas. O cemitério se tornou um museu a céu aberto


A falta de explicação para o fenômeno da morte é o que levará muitas sociedades, principalmente os egípcios na antiguidade clássica, a crerem na vida após a morte. Daí os cuidado para que o corpo não se desintegrasse – os processos de mumificação – se tornaram uma peculiaridade dos egípcios. Já os faraós, alem de serem mumificados, eram postos em templos gigantescos – as pirâmides – simbolizando a importância que eles representavam para a sociedade e seu poder central.

Na antiguidade Greco-romana, os mortos eram os primeiros que “recepcionavam” os viajantes: “a primeira coisa que saudava o viajante que se aproximava de uma cidade grega ou romana era a fila de sepulturas e lápides que ladeavam as suas estradas”. Com os gregos e os romanos irão surgir muitos dos costumes que perdurarão até hoje, como transcrever inscrições nas lápides tumulares, pôr flores sobre os túmulos, além de alimentos. Foram a partir desses costumes que a memória do morto passou a ser preservada e cultuada, assumindo diversas feições ao longo dos tempos.

A prática dos romanos em enterrar seus mortos em beiras de estradas mudará conforme o avanço do cristianismo na sociedade. Só então que “[...] surgiu a tendência de aglomerar os defuntos nas proximidades dos lugares sagrados, como tumbas de santos e igrejas, na perspectiva do Juízo Final e da ressurreição dos corpos” . Como o enterro estava – e ainda está – relacionado à crença na ressurreição do corpo, qualquer outro destino para o morto – como a cremação, por exemplo – era repudiado pela doutrina cristã, sob alegação de que outras práticas anulavam a imagem que se tem do sono a espera do despertar.

Projetado pelo arquiteto Alexandre Théodore Brongniart em 1803, é no Pere Lachaise que fica o Muro dos Federados, onde foram fuzilados 147 dirigentes da Comuna de Paris no dia 28 de maio de 1871. Porém são seus ilustres habitantes que tornam o cemitério um dos mais famosos do mundo. Lá é morada de Jim Morrison, Edith Piaf, Allan Kardec, Frédéric Chopin, Oscar Wilde e Richard Wright

Segundo Araújo , os cemitérios similares aos que vemos hoje só surgem em plena Idade Média, quando os mortos passam a lotar as dependências da igreja e o seu redor. A igreja será quem primará em preservar os túmulos, o que fará com que o cemitério se construa em seu redor, conforme cita Schmitt: “(...) o cemitério é cercado por um muro, sobre o qual o bispo, quando de suas visitas paroquiais, lembra constantemente a necessidade de conserválo para separar o espaço sagrado do espaço profano e impedir os animais de vagar entre as sepulturas .

Túmulo de Simone de Beauvoir e Sartre no Cemitário de Montparnasse, onde pessoas de todo o mundo deixam presentes, flores e bilhetes para o casal.

No período medieval, o cemitério representará muito mais que uma necrópole, ou seja, uma cidade restrita aos mortos. Segundo Fargette-Vissière , os cemitérios medievais eram espaços bastante procurados e, porque não, cobiçados pelas pessoas da época. Neles eram desenvolvidas muitas atividades sociais:

De dia ou de noite, era neles que a população das maiores cidades europeias buscava se divertir, quando não fixar residência provisória ou definitiva. Além disso, as necrópoles eram também um espaço de cidadania, pois lá sempre estavam juízes a comunicar sentenças, e o equivalente aos prefeitos de hoje a dar publicidades a suas ações. Esses locais funcionavam ainda como cartórios a céu aberto. Não que as condições ajudassem, pois já havia acúmulo de corpos e problemas de higiene e limpeza. Mas, de fato, os cemitérios atraíam. Eram um componente da urbanidade de então, construída através dos séculos e com origens bastantes remotos.


O cemitério no bairro nobre de Recoleta, em Buenos Aires, é famoso por abrigar ex-presidentes argentinos, como Nicolás Avellaneda e Carlos Pelegrini, o vencedor do Prêmio Nobel da Paz Domingo Faustino Sarmiento, e o escritor Adolfo Bioy Casares. Mas é o túmulo da ex-primeira dama Eva Perón o mais procurado pelos turistas. O cemitério também se destaca pela arquitetura neoclássica e as diversas obras de arte espalhadas por seus quatro hectares.

Vimos que os cemitérios medievais eram muito animados, mas não para por aí. Alguns construíam até tabernas em suas dependências, pois esses locais representavam autênticos lugares de sociabilidade; um verdadeiro ponto de encontro para quem procurava diversão. “Os cemitérios nesta época eram completamente integrados à comunidade, localizando-se no centro da mesma, servindo depois do sepultamento como pasto para o gado, local de feiras, jogos, atalhos para outras áreas e depósitos de lixo”

Os cemitérios também eram muito procurados pelos casais, visto ser um lugar tranquilo para o namoro, e pelas pessoas que buscavam um relacionamento: os jovens “[...] cortejavam as moças à sombra dos ossários e dançavam entre os túmulos a farândola, uma dança medieval muito popular, em que vários participantes fazem uma roda, que evolui para outras formações”.

Mesmo a Igreja Católica tendo proibido muitas das práticas sociais antes desenvolvidas dentro dos cemitérios, estes ainda continuaram sendo um local de intensa agitação até o século XIX, quando os cuidados com a higiene transportará os cemitérios para longe das cidades.

Aqui no Brasil, até a primeira década do século XIX, os mortos eram enterrados apenas trajando um manto cobrindo o corpo, posto que os cuidados com a higiene não havia se tornado praxe no Brasil imperial. Nos cemitérios de pretos, nas principais cidades brasileiras, os escravos eram lançados em covas muito rasas e, depois de um tempo, os corpos ficavam expostos ao ar livre, sendo que as pessoas nem se preocupavam com isso. As pessoas conviviam pacificamente com os odores exalados pelos mortos.

O Arlington National Cemetery, cemitério militar e civil na capital americana, Washington D.C., é famoso por abrigar símbolos patrióticos dos EUA. As lapides são nomeadas em homenagem a americanos mortos em diversas guerras, desde a Guerra da Independência até a Guerra do Iraque. Também é destaque o Iwo Jima Memorial e o Túmulo do Soldado Desconhecido, que abriga três soldados não identificados. O monumento é guardado pela Guarda de Honra do Exército. Lá também estão enterrados os membros da tradicional família Kennedy: o ex-senador Robert Kennedy e o ex-presidente John Kennedy

Quando a preocupação com a higiene passou a ser tema central no império brasileiro, a partir da segunda metade do século XIX, visto que já era uma realidade na Europa, os governos passaram a aderir a esse novo padrão, reorganizando o espaço e a relação dos mortos com os vivos. Segundo Reis, “uma organização civilizada do espaço urbano requeria que a morte fosse higienizada, sobretudo, que os mortos fossem expulsos de entre os vivos e segregados em cemitérios extra-muros.” .

Nessa perspectiva, os cemitérios vão agora se afastar das cidades, estabelecendo-se a divisão entre as cidades dos vivos e dos mortos. “Hoje, em algumas cidades, a zona urbana cresceu tanto que de novo aproximou os mortos dos vivos” , como é o caso do cemitério São João Batista de Guarabira-PB, assim como o cemitério de mesmo nome, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.

Percebe-se, no entanto, que os cemitérios se afastaram das cidades, mas não das igrejas, sendo que cada novo cemitério construído terá sua capela situada no centro da necrópole, onde são feitas missas e orações aos mortos. Esse padrão será o que prevalecerá ainda nos dias atuais, mesmo surgindo outras tipos de cemitérios e práticas de enterramento.

Oficialmente chamado de St. James, o cemitério fica no bairro de Highgate, norte de Londres, e tem como seu habitante mais ilustre o sociólogo alemão Karl Marx, juntamente com sua esposa. Eles ficam no setor do cemitério reservado aos banidos pela Igreja Anglicana. Ao lado do túmulo, há a inscrição 'Trabalhadores de todas as terras, uni-vos' e um busto de bronze.


Referências:

ARAÚJO, Thiago Nicolau de. Túmulos celebrativos do Rio Grande do Sul: múltiplos olhares sobre o espaço cemiterial (1889 – 1930). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008.

BAYARD, Jean-Pierre. Sentido Oculto dos Ritos Funerários: morrer é morrer? São Paulo: Paulus, 1996.

CRUZ, Manoel Pereira da. Cemitérios. Dissertação (Mestrado em Medicina). Porto: Escola Médico-cirúgica, 1882.

FARGETTE-VISSIÈRE, Séverine. Os animados cemitérios medievais. História Viva. 67 ed, p. 48-52, maio, 2009.

FARIA, Sheila de Castro. Viver e morrer no Brasil colônia. São Paulo: Moderna, 1999.

MUMFORD, Lewis. A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. Trad.: Neil R. da Silva. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

ROSA, Edna Terezinha da. A relações das áreas de cemitérios com o crescimento urbano. Dissertação (Mestrado em Geografia). Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2003.

SCHMITT, Jean Claude. Os vivos e os mortos na sociedade medieval. Trad.: Maria Lucia Machado. São Paulo: Cia das Letras, 1999.

[1] Graduado em História pela Universidade Estadual da Paraíba – UEPB.

[2] MUMFORD, Lewis. A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. Trad.: Neil R. da Silva. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p.13.

[3] CRUZ, Manoel Pereira da. Cemitérios. Dissertação (Mestrado em Medicina). Porto: Escola Médico-cirúgica, 1882, p.10.

[4] Idem, p.13.

[5] ARAÚJO, Thiago Nicolau de. Túmulos celebrativos do Rio Grande do Sul: múltiplos olhares sobre o espaço cemiterial (1889 – 1930). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008, p.30.

[6] MUNFORD, Op. Cit., p.13.

[7] BAYARD, Jean-Pierre. Sentido Oculto dos Ritos Funerários: morrer é morrer? São Paulo: Paulus, 1996, 133.

[8] FARGETTE-VISSIÈRE, Séverine. Os animados cemitérios medievais. História Viva. 67 ed, p. 48-52, maio, 2009, p.49.

[9] ROSA, Edna Terezinha da. A relações das áreas de cemitérios com o crescimento urbano. Dissertação (Mestrado em Geografia). Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2003, p.16

[10] ARAÚJO, Op. Cit., p.36.

[11] SCHMITT, Jean& Claude. Os vivos e os mortos na sociedade medieval. Trad.: Maria Lucia Machado. São Paulo: Cia das Letras, 1999, p.204.

[12] FARGETTE-VISSIÈRE, Op. Cit., p.49.

[13] ROSA, Op. Cit., p.17.

[14] FARGETTE-VISSIÈRE, Op. Cit., p.51.

[15] FARIA, Sheila de Castro. Viver e morrer no Brasil colônia. São Paulo: Moderna, 1999, p.56.

[16] REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991, p.247.

[17] FARIA, Sheila de Castro. Viver e morrer no Brasil colônia. São Paulo: Moderna, 1999, p.57.

  

Fonte das imagens: Google Imagens
Texto: Paulo Hipólito