terça-feira, 27 de setembro de 2016

ESTADOS UNIDOS NO SÉCULO XIX

Pintura de John Gast. Título: Progresso Americano (1872)


A CONQUISTA DO OESTE

  • Independência dos EUA 1776
  • tempos difíceis nas primeiras décadas
  • O governo não conseguia controlar o território e arrecadas impostos
A ECONOMIA
  • Indústria de tecelagem
  • Indústria de fiação
  • Revolução nos transportes
REVOLUÇÃO NOS TRANSPORTES
  • Criação do barco a vapor (inventor: Robert Futon - 1807)
  • Estradas de ferro (década de 1840

IMIGRAÇÃO 

  • Imigrantes europeus
  • 42  milhões de europeus nos EUA ( 1820-1930)
  • italianos, irlandeses, alemães, ingleses, judeus (europeus e asiáticos)
  • Objetivo dos imigrantes: "fazer a América"
  • Trabalhavam nas indústrias no Norte e nas terras do Oeste
  • Tinham esperança que no Oeste poderiam trabalhar, , expressar-se e praticar suas religiões

"Navio de Imigrantes" - John Charles Dollman.Pintor inglês (1851-1934)



MARCHA PARA O OESTE

  • Do litoral para o interior dos EUA
  • Foram em pequenos navios pelo Mississipi e pelo Missoure  (rios)
  • Foram também em carroções por terra 
DESTINO MANIFESTO
  • Achavam que os colonos norte-americanos haviam sido escolhidos por Deus para expandir-se pelas terras do continente americano
  • Levariam consigo a CIVILIZAÇÃO
LEI DE TERRAS (1862)
  • O governo cedia um lote de terra no Oeste por apenas 10 dólares
  • Foi uma espécie de Reforma Agrária
  • Ampliou o número de pequenos proprietários
  • Aumentou a oferta de alimentos
  • Os preços dos alimentos baixaram
  • Estimulou o desenvolvimento do país
COMO O TERRITÓRIO DOS EUA SE EXPANDIU?
  • Tomaram terras dos índios
  • Compraram terras
  • Fizeram acordos diplomáticos
  • Guerra contra o México

TERRITÓRIOS CONQUISTADOS E SEUS PREÇOS
  • Louisiana - 5 milhões de dólares (1803)
  • Flórida - 15 milhões de dólares (1819)
  • Alasca - 7,2 milhões de dólares (1867)
  • Óregon ( Costa do Pacífico) - acordo diplomático
  • México- mais da metade do território tomado através de guerra (1848)
  • Ganharam acesso ao Pacífico

SOBRE OS ÍNDIOS NORTE AMERICANOS


índios da Tribo Cherokee

  • Os índios não eram considerados cidadãos
  • Somente o imigrante europeu naturalizado era cidadão
  • Os índios eram vistos como estorvos (peso morto)
  • Grande parte dos indígenas foram assassinados através de massacres


O animal da foto é um BISÃO-AMERICANO ou BÚFALO-AMERICANO

  • As empresas que construíam as estradas, pagavam atiradores para matar os BISÕES
  • Alegavam que os BISÕES atrapalhavam o caminho
  • Os BISÕES serviam de alimento para muitos índios
  • Com a morte dos BISÕES os índios passavam fome
  • O governo desrespeitava os tratados de paz que fazia com os indígenas
  • Foram décadas de lutas: ÍNDIO X EUROPEU
CONSEQUÊNCIA DA CONQUISTA DO OESTE PARA OS ÍNDIOS
  • Mutos povos indígenas desapareceram
  • Outros foram expulsos de suas terras
  • Fora obrigados a viver em reservas indígenas ( região muito fria e de solo pobre)
  • Hoje a maioria dos índios vivem em reservas ou em cidades
  • Os índios hoje são marginalizados 
Líder indígena Touro Sentado ( TUTANKA YOTANKA ) 1960




A GUERRA DA SECESSÃO - 1861-1865
  • Havia diferenças entre a REGIÃO CENTRO-NORTE  e a REGIÃO SUL
  • CENTRO-NORTE : trabalho livre e pequena propriedade, indústrias, mercado interno
  • SUL: trabalho escravo, grande propriedade escravista, mercado externo. ex: anil, fumo,algodão
  • Havia conflito entre as duas regiões
  • Sul - queria conservar a escravidão
  • Norte - queria o fim da escravidão
  • 1860- ABRAHAM LINCOLN : eleito presidente dos EUA ( representava o NORTE)


QUEM FOI  ABRAHAM LINCOLN ?

  • Abolicionista moderado
  • Defensor da indústria
  • Defensor da unidade Norte-Americana
  • Frase: "CHEGOU UM TEMPO EM QUE PERCEBI QUE A ESCRAVIDÃO DEVERIA MORRER PARA QUE A NAÇÃO PUDESSE VIVER"

  • Descontentes, 7 estados do SUL se separam dos EUA e formaram um outro país: ESTADOS CONFEDERADOS DA AMÉRICA
  • GUERRA DA SECESSÃO: NORTE X SUL ( GUERRA CIVIL) 1861-1865


Planta Anil. Serve para fazer corante.

Fábrica de elevadores OTIS-  1853 - New York


Fábrica de Elevadores OTIS - EUA. Atualmente

Escravizados na colheita de algodão nos EUA no século XIX



AGORA VAMOS VER UM VÍDEO INTERESSANTE SOBRE O ASSUNTO

terça-feira, 20 de setembro de 2016

CASAMENTO, UM CONTRATO SOCIAL

Educadas desde cedo para o casamento, as mulheres 
pertencentes a famílias ricas passavam da tutela do pai para a do marido.

Entre as práticas sobreviventes do Brasil colonial que passavam por uma fase de declínio na segunda metade do oitocentos, embora ainda presente dentro de algumas famílias com certo poder aquisitivo, estavam os casamentos arranjados, concebidos pela sociedade argentária como uma forma lícita para se contrair propriedade e riqueza. 

Segundo a historiadora Mariana Muaze: “foi recorrente até o final do século XIX o recurso de se constituir matrimônio dentro da mesma família ou entre troncos familiares com negócios em comum com o objetivo de não deixar a riqueza se dissipar” (2008, p. 18). 

Uma das principais críticas feitas por José de Alencar nos seus romances urbanos se refere justamente a esse tipo de união, motivada por interesses econômicos e que tinha na concessão do dote das noivas a sua característica comercial mais nítida. 

Segundo Muriel Nazzari, “o dote foi uma instituição europeia que os portugueses, colonizadores do Brasil no século XVI, trouxeram com eles, juntamente com o cristianismo e outros implementos culturais europeus”. Segundo esses costumes, “conceder um dote a uma filha constituía um dever dos pais, análogo ao dever de alimentar e cuidar dos filhos, e só era limitado pela amplitude dos recursos de que dispusessem (2001, p. 15-16).


Esse tipo de união predominou no Brasil do século XVII, até a primeira metade do XX, quando algumas mudanças de cunho social, em sua maioria importadas dos países europeus, alteraram o pacto matrimonial, tais como o crescimento do individualismo e a separação entre os negócios e a família. 

Assim, o dote foi aos poucos deixando de ser um requisito indispensável para a realização dos casamentos, que passaram a ser vistos mais como uma questão de vínculo pessoal, do que como uma questão de bens, o que deu aos jovens maior liberdade na escolha de seus parceiros. 

Ainda de acordo com Muriel Nazzari:
Entre o século XVII e o final do século XIX, desenvolveu-se um novo conceito de propriedade privada. A família deixou de ser o locus da produção e do consumo, para se tornar principalmente o locus do consumo, ao mesmo tempo que “família” e “empresa” passaram a estar formalmente separadas. O poder da família extensa entrou em decadência e a família conjugal tornou-se mais importante; o casamento transformou-se, de questão predominantemente de propriedade, em relacionamento reconhecido como “de amor”, cujos esteios econômicos já não eram explicitados. Ao mesmo tempo, houve uma mudança da forte autoridade do patriarca sobe os filhos e as filhas adultos para uma maior independência destes, e dos casamentos arranjados para os casamentos livres escolhidos pelos noivos (NAZZARI, 2001, p. 22).

Se antes era comum que as famílias arranjassem casamentos entre pessoas que nunca se viram, agora os pais, que, de acordo com os manuais de etiqueta importados da França, entendiam as necessidades dos filhos melhor do que os mesmos, começaram a estimular encontros entre o possível casal, para que o interesse mútuo e a atração sexual fossem despertados. 

Nesse pacto matrimonial, a questão do dote não estava mais em pauta. Se comparado ao período colonial, os proprietários dotavam suas filhas com menor frequência e com quantidades de bens cada vez menores, pois “o sustento dos recém-casados passou então a depender cada vez mais da contribuição do marido, quer em bens, quer por seu emprego, fortalecendo-se desse modo a sua condição de negociador” (NAZZARI, 2001, p. 211). O casamento também poderia ser para o homem uma forma de se inserir e prosperar no mercado de trabalho, através do qual ele conseguiria estabelecer sua família e conquistar o respeito da sociedade.

Educadas desde cedo para o casamento, as mulheres pertencentes a famílias ricas passavam da tutela do pai para a do marido.
Educadas desde cedo para o casamento, as mulheres pertencentes a famílias ricas passavam da tutela do pai para a do marido.

Na segunda parte de Senhora, intitulada Quitação, a viúva D. Emília Camargo estimulava sua filha a se debruçar na janela para chamar a atenção de algum rapaz que se dispusesse a tomá-la em casamento: “Vai para a janela, Aurélia”, pois “muitos moços se te conhecessem haviam de apaixonar-se. Poderias então escolher algum que te agradasse”, ao passo que a moça retrucava: “casamento e mortalha no céu se talham, minha mãe” (ALENCAR, 1997, p. 83). Mesmo assim, Aurélia satisfez o desejo de D. Emília e foi dessa forma, enquanto se exibia na janela da casa, que ela conheceu Fernando Seixas. Os dois se interessaram um pelo outro e então o moço passou a frequentar a residência da família em Santa Teresa, onde se comprometeu com a mãe da jovem a tomar Aurélia como esposa. “Deus ouviu minha súplica”, exclamou D. Emília, “agora posso morrer descansada” (ALENCAR, 1997, p. 90). Nesse caso, o poder de escolha foi exercido por ambos os pares, independente da vontade da genitora, que se deu por satisfeita diante da perspectiva de ver sua filha como noiva, pois o matrimônio era o destino da maioria das mulheres ocidentais. Uma vez casadas, elas deixavam a tutela paterna e se tornavam “propriedade” dos maridos.

Dessa forma, o crescimento do individualismo diminuiu assim um pouco o poder dos genitores sobre seus filhos adultos e consequentemente aumentou a autoridade do homem sobre a esposa. Segundo Roderick Barman:

A missão de vida da mulher consistia em prestar apoio, conforto e lealdade ao marido e em gerar e criar seus filhos. As mães educavam as filhas não só para contar com esse destino, mas também para aceitá-lo de bom grado. A falta de alternativas na vida, a possibilidade de escapar à condição dependente e obediente de filha e a atração da sexualidade masculina eram poderosos incentivos para aceitar esse fato. Aos olhos da sociedade, o casamento conferia status (grifo do autor) e certa influência à mulher (BARMAN, 2005, p. 78).

O século XIX, especialmente, acentuou a divisão de papéis entre homens e mulheres. Cada um tinha suas funções, tarefas e espaços, com lugares a serem ocupados e definidos nos seus mínimos detalhes: para p marido, o espaço público, para a esposa, o privado. De acordo com Michelle Perrot, “existe um discurso dos ofícios que faz a linguagem do trabalho uma das mais sexuadas possíveis. ‘Ao homem, a madeira e os metais. À mulher, a família e os tecidos” (1992, p. 178). A própria política havia contribuído para acentuar essa interpretação dos papéis masculinos e femininos ao distinguir as categorias produção, reprodução e consumo. Nesse caso, caberia ao homem assumir a primeira, enquanto a mulher ficara com a terceira. A segunda (a da reprodução), contudo, seria tarefa de ambos.


Nos casamentos arranjados, era comum moças de 16 anos se casarem com homens de 60 (Vasili, 1861).

Em 1887, o alemão Maurício Lamberg observou que as regras de noivado no Brasil se baseavam numa espécie de puritanismo como ele jamais tinha visto: antes do casamento, ”a nenhuma moça é permitida caminhar na rua sem ir acompanhada de um parente muito próximo”[6], muito menos acompanhada do noivo, “que, aliás, não se atreve a tomar com a noiva nenhuma das acostumadas familiaridades ou carinhos” (apud LEITE, 1993, p. 39). Ao contrastar as práticas matrimonias vigentes no Brasil com as da Alemanha, Lamberg afirmou:

Se formos considerar os fenômenos que são diariamente nas relações entre os dois sexos, encontraremos desde logo uma diferença capital entre os costumes brasileiros e os alemães. Enquanto na Alemanha, como aliás, nos países anglo-saxônicos, o noivado dura às vezes anos, estabelecendo-se entre o rapaz e a rapariga relações que têm por base um amor ideal, aqui, pelo contrário, o noivado é a bem dizer curto, e o amor, que chega por vezes às raias da loucura, parece vir mais do sangue que da alma. Isto observa-se, aliás, na raça latina, em geral, cujo temperamento é diverso do nosso; e para isso influi, e não pouco, o clima, particularmente no Brasil (apud LEITE, 1993, p. 39).

Complementando o depoimento de Lamberg, o francês conde de Suzannet observou que “a situação moral da população brasileira corresponde ao que era de esperar: a corrupção de valores no Brasil é coisa demais conhecida para que eu cite exemplos”. Para ele, o casamento entre as famílias ricas “é, apenas, um jogo de interesse. Causa espanto ver-se uma moça ainda jovem rodeada de oito ou dez crianças”, sendo que “uma ou duas, apenas, são dela, as outras são do marido” (apud LEITE, 1993, p. 43).

Juridicamente, o dote era considerado como um adiantamento à filha da parte que lhe cabia por direito na herança deixada por seus pais.  Nesse caso, “a filha dotada poderia escolher entre levar os bens à ‘colação’ – somando-os ao monte bruto do inventário e dividindo-os com os outros herdeiros – ou abdicar de sua parte na herança” (MUAZE, 2008, p. 47). No século XVII e, em menor grau, no XVIII, quando a prática de conceder grandes dotes ainda era comum, estes poderiam ser compostos tanto de dinheiro, como de terras, escravos, animais, entre outros meios de produção. Isso se constituía numa grande vantagem para as mulheres que, em certos casos, ficavam com uma parte maior dos bens de seus progenitores do que o herdeiro varão. “Sendo as mulheres mais ricas do que os homens, o que estavam em jogo para a família da nubente eram o branqueamento, o enobrecimento e a capacidade de trabalho do noivo” (MUAZE, 2008, p. 45). Dessa forma, as filhas se tornavam numa espécie de mercadoria essencial no processo de produção e reprodução familiar.



Com o declínio do dote, as famílias passaram a estimular encontros entre os possíveis noivos para estimular o florescimento de sentimentos entre eles (Tela de George Henry Boughton, 1878).

Porém, ao longo do século XIX essa prática passou por uma profunda transformação, uma vez que as filhas dos proprietários estavam deixando de levar os bens para o casamento. Aquelas que eram dotadas, recebiam itens apenas para uso próprio, como escravos, joias, roupas, prataria, etc. 

Segundo Mariana Muaze:

Durante muito tempo o dote servira para que as filhas conseguissem bons casamentos, pois fornecia um quinhão igual ou superior à sua parte na legítima, proporcionando um desfalque considerável na fortuna do casal progenitor e na herança dos filhos homens. No século XIX, a concessão do dote se transformou. Perdeu o caráter de veículo privilegiado de transmissão de riquezas para que um casal iniciasse sua vida produtiva. Seus valores raramente ultrapassavam a legítima e os pais não necessitavam utilizar a terça para completar ou melhorar o dote da primeira filha, como ocorria anteriormente (MUAZE, 2008, p. 48).

Todavia, o dote, apesar de ter perdido sua força como requisito para um bom casamento, não caiu completamente em desuso até o final do século. O tema ainda era abordado por muitos romancistas do período, como o próprio José de Alencar, além de questão presente em debates acadêmicos, na imprensa, entre outros veículos, contrastando essa prática com o ideal de amor romântico em ascensão na segunda metade do oitocentos, o que contribuiu para que a tradição se diluísse por completo.

Referências bibliográficas.

BARMAN, Roderick J. Princesa Isabel: gênero e poder no século XIX. Tradução de Luiz Antônio Oliveira Araújo. – São Paulo: Editora UNESP, 2005.

LEITE, Míriam Moreira (org.). A condição feminina no Rio de Janeiro, século XIX: antologia de textos de viajantes estrangeiros. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1993.

MUAZE, Mariana. As memórias da viscondessa: família e poder no Brasil Império. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

NAZZARI, Muriel. O desaparecimento do dote: mulheres, famílias e mudanças sociais em São Paulo, Brasil, 1600-1900. Tradução de Lólio Lourenço de Oliveira. – São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

PERROT, Michelle. Os excluídos da História: operários, mulheres e prisioneiros. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.


RIBEIRO, Luis Felipe. Mulheres de papel: um estudo do imaginário em José de Alencar e Machado de Assis. – 2ª ed. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2008.

Fonte: rainhastragicas.com

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

CONFLITO ENTRE A IGREJA E IMPÉRIO BRASILEIRO

Apesar de a maior parte da população viver à margem dos preceitos do catolicismo, esta era a religião oficial do estado brasileiro. As atribuições do clero estavam descritas na Constituição de 1824 e o imperador interferia nas questões da Igreja através do padroado e do beneplácito


O padroado permitia ao monarca sugerir nomes para os cargos eclesiásticos mais importantes, só dependendo de uma confirmação do papa

O beneplácito estipulava que todas as bulas pontifícias, mesmo aquelas que tratassem de questões estritamente religiosas, como os rituais litúrgicos, deveriam ser submetidas ao imperador

Elas só teriam validade no Brasil após sua aprovação, o que provocava insatisfação do papado. As relações entre os dois poderes eram tão estreitas que os padres, que recebiam proventos do governo, exerciam atribuições inerentes ao estado, como registros de nascimentos, casamentos e óbitos. Eram quase "funcionários públicos"

Esta situação só se alterou com a República.


Frei Vital Maria
Papa Pio IX
As relações entre a Igreja e o Império começaram a entrar em crise quando o Frei Vital Maria, bispo de Olinda, decidiu colocar em prática, em 1872, a bula Sylabbus, publicada pelo papa Pio IX oito anos antes. 



O documento proibia a ligação entre católicos e maçons, amplamente praticada no país, inclusive pelos principais personagens políticos do período. 

Frei Vital determinou que o clero não celebrasse missa para comemorar a fundação da loja maçônica pernambucana e ordenou às confrarias religiosas que expulsassem seus membros ligados às "sociedades secretas". 

Bula Sylabbus: Igreja x Maçonaria


D. Antônio Macedo Costa
Como algumas comunidades se recusaram a cumprir as ordens do bispo, foram interditadas. Para agravar a situação, o bispo do Pará, D. Antonio Macedo Costa, imitou as iniciativas de Frei Vital. 


A reação da Maçonaria foi imediata. Ela recorreu ao Governo imperial, que, através do Conselho de Estado, determinou que Dom Vital revogasse suas proibições, lembrando-o que a bula Sylabbus não havia recebido a aprovação de Dom Pedro e, portanto, não tinha validade no país. 

O bispo, em uma atitude inédita, retrucou que o poder civil não poderia intervir em assuntos espirituais. 

Acabou sendo condenado, junto do bispo do Pará, a quatro anos de prisão com trabalhos forçados. 

A crise ficou conhecida por "Questão Religiosa" e rompeu definitivamente as relações entre o estado e o clero, antiga base de sustentação do sistema monárquico. 

Apesar dos dois bispos terem sido anistiados em 1875, os padres continuaram a usar o púlpito para criticar a forma de governo vigente.

Charge a respeito da Questão Religiosa. Diz a legenda:
 "S. M. [Sua Majestade] aproveitou a ocasião para, não desfazendo do
 macaroni do Papa, fazer valer as vantagens e 
excelência de uma boa feijoada"

sábado, 17 de setembro de 2016

ABOLIÇÃO E REPÚBLICA - SÉCULO XIX

PROCESSO DE ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA NO BRASIL

1- Pressão inglesa pelo fim do tráfico negreiro

2- Lei Eusébio de Queirós (1850)

Eusébio de Queirós


3- A resistência dos escravizados 

Anúncio de procura por escravo fugido


  • Desobediência
  • Fuga
  • Quilombos
  • Levantes Urbanos
  • Busca de liberdade para praticar suas culturas e religiões
Anúncio de procura de escravo fugido

Anúncio de venda de escravo

Anúncio d venda e compra de escravos

Exemplo: Na  Bahia (1807-1835) , mais de 20 revoltas e conspirações

4- O movimento abolicionista
  • Aconteceu durante o século XIX
  • As ideias eram divulgadas através de charges, artigos, passeatas e comícios.
Charge satirizando a luta entre abolicionistas e
escravocratas durante as últimas décadas do século XIX


5- Quem eram os abolicionistas?

José do Patrocínio

  • José do Patrocínio (jornalista, orador e abolicionista, ocupou a cadeira 21 na Academia Brasileira de Letras)
Luís Gama

  • Luís Gama ( ex-escravo, conseguiu liberdade para vários escravos)

6- O que a Guerra do Paraguai tem a ver com a Abolição?
  • Oficiais do exército viam com simpatia os negros que lutaram ao lado deles nos campos de batalha.
7- Pressão externa e interna para que D. Pedro II acabasse com a escravidão no Brasil

8- O imperador aboliu a escravidão de forma LENTA E GRADUAL (Leis)
  • Lei do Ventre Livre  (28/09/1871) - os filhos de escravas nascidos a partir daquela data seriam livre (até 8 anos de idade a criança ficaria sob a autoridade do senhor
  • Lei do Sexagenário (28/09/1885) - declarava livres os escravos com mais de 60 anos
  • Lei Áurea  (13/05/1888) - declarou extinta a escravidão no Brasil

9- A vida dos libertos


  • Não receberam terras para plantar
  • Não receberam ajuda do governo
  • Alguns ficaram nas fazendas em troca de baixos salários e parte da colheita
  • Alguns foram para a cidade em busca de emprego
  • Os empresário priorizavam os imigrantes europeus
  • Os libertos ficaram com os piores salários
  • Muitos foram morar em morros ou cortiços
  • Poucos conseguiram ascender socialmente

CURIOSIDADE!

O CEARÁ FOI A PRIMEIRA PROVÍNCIA DO BRASIL E ABOLIR A ESCRAVIDÃO
 25/03/1884

Museu do Negro Liberto - Redenção





SAIBA MAIS SOBRE O RACISMO E CULTURA AFRICANA AQUI

10- O processo que conduziu à República


  • Manifesto Republicano feito por fazendeiros do oeste paulista e profissionais liberais ( 1870- "Somos da América e queremos ser americanos")
  • Os outros países da América já haviam abolido a escravatura
  • 1873- Foi fundado o PRP - Partido Republicano Paulista
11- O movimento republicano

Quintino Bocaiúva

Antônio Silva Jardim

  • dividido em 2 grupos
  • Quintino Bocaiúva ( jornalista) - queria a República por via eleitoral
  • Antônio da Silva Jardim (advogado) - queria a revolução popular
12- O movimento republicano ganhou força - 1880
  • Foram fundados clubes e jornais republicanos em todo país
  • Os comícios de Silva Jardim atraíam muitas pessoas
13- A Questão Militar
  • Foram punidos dois oficiais do Exército ( tenente-coronel Sena Madureira e o coronel Cunha Matos
  •  Foram punidos por denunciar corrupção e ficar do lado da abolição
  • Marechal Deodoro da Fonseca se negou a punir Sena Madureira
  • Marechal Deodoro foi demitido do cargo de comandante das armas do RS
  • Deodoro e Sena Madureira viajaram ao RJ (recebidos com festa por oficiais. Ex: Major Benjamin Constant)
  • 09/11/1889- Benjamin Constant pediu poder aos militares 
14- a Proclamação da República
  • Com a Lei Áurea, os fazendeiros do Vale do Paraíba e do Nordeste se sentiram traídos, pois foram obrigados a libertas seus escravos
  • Os fazendeiros ingressaram no PRP - Partido Republicano Paulista
  • A classe média queria mais participação política
  • Os militares simpatizavam com a República
  • Marechal Deodoro + Quintino Bocaiúva = derrubar a Monarquia
  • 15/11/1889 - foi dado um golpe, Marechal Deodoro da Fonseca (com seus soldados)  encerrou o período monárquico no Brasil.
  • O Brasil passou a ter uma nova bandeira com o lema ORDEM E PROGRESSO (positivista)
15- A República da Espada (1889-1894)


  • governada por militares
  • 15/11/1889 - Governo Provisório - Marechal Deodoro da Fonseca
  • Deodoro fez uma reforma financeira e aprovou a 1ª Constituição Republicana do Brasil
  • Rui Barbosa (ministro da fazenda)autorizou emissão de dinheiro para empréstimos a empresários
  • Muitos usaram o dinheiro para fundar empresas fantasmas
  • Vendiam ações das empresas falsas na Bolsa de Valores
  • Os acionistas descobriram que compraram ações falsas
  • Investidores perderam seu dinheiro, empresas antigas faliram e a inflação aumentou
16- A Primeira Constituição da República (fevereiro de 1891) - características


  • Federalismo - os estados brasileiros teriam autonomia
  • Haveria 3 poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário
  • A Igreja Católica foi separada do Estado (registro civil de nascimento, casamento e óbito)
17- Quem poderia votar?
  • maiores de 21 anos, 
  • brasileiros , 
  • alfabetizados, 
  • não poderiam ser soldados ou membros do clero
18- O governo de Deodoro da Fonseca

  • Eleito indiretamente (sem participação popular)
  • Vice: Floriano Peixoto - oposição a Deodoro
  • Parlamentares votaram a limitação de poderes de Deodoro
  • Encilhamento: foi a forma como ficou conhecida a crise financeira ocorrida no Brasil a partir de 1890 decorrente da política econômica do governo provisório do Marechal Deodoro da Fonseca.
  • Deodoro mandou fechar o Congresso ( novembro de 1891)
  • Primeira Revolta da Armada: Militares da Marinha ameaçaram bombardear o RJ se Deodoro não renunciasse.
  • Deodoro renunciou e assumiu Floriano Peixoto
19- O governo de Floriano Peixoto ( o Marechal de Ferro)

  • Reabriu o Congresso
  • Formou o ministério com cafeicultores de SP
  • Reduziu aluguéis e preços de alguns alimentos (carne, feijão,pão e batata)
  • Conquistou popularidade
  • Seus adversários (generais do Exército) exigiam sua renúncia
  • Floriano aposentou os generais
  • Segunda Revolta da Armada (1893): a Marinha se manifesta contra Floriano e bombardeia o RJ  com tiros de canhão
  • A Marinha exigia a saída de Floriano
  • Floriano venceu a Marinha com ajuda de cafeicultores e soldados do Exército
  • Surge o Florianismo (o povo deveria ser fiel a Floriano Peixoto)
20- A Revolução Federalista - RS

  • Guerra civil por conta de disputa partidária
  • PRR - Partido Republicano Rio-Grandense - líder: Júlio de Castilhos (positivista)
  • PF - Partido Federalista - líder: Gaspar de Silveira Martins 
  • PRR (pica-paus) X PF (maragatos)
  • A guerra atingiu Santa Catarina e Paraná
  • Morreram milhares de pessoas
  • Venceram os pica-paus (PRR) 1895 - Castilhismo
  • Quando Floriano deixou o poder, a República já estava consolidada.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A GUERRA DO PARAGUAI (1864-1870)




Há 152 anos terminava o mais sangrento conflito armado da história da América Latina, a Guerra do Paraguai mobilizou centenas de milhares de brasileiros, paraguaios, argentinos e uruguaios. Este episódio, ainda pouquíssimo trabalhado nos livros de História, decorreu numa drástica mudança no cenário econômico da chamada Região Platina.

A Guerra do Paraguai é considerada o MAIS GRAVE CONFLITO NA AMÉRICA DO SUL.


CAUSAS:

  • Disputa pelo controle dos rios Paraná,Paraguai, Uruguai e o Rio da Prata .
          Esses rios serviam para circulação de mercadorias na América do Sul e Europa
          No Brasil os rios serviam para fazer comércio com o Mato Grosso, pois as estradas eram            péssimas.

  • Disputa por terras férteis e de pastagens ( fazendeiros de países vizinhos desrespeitavam as fronteiras do outro )
  • Disputa pela liderança da região platina
         - D. Pedro II, sempre intervinha nos países platinos a favor de seus                     interesses.

           1- retirou o presidente do Uruguai do poder (Manuel Oribe - 1851)
           2- retirou o presidente argentino Manoel Rosas (1852)
           3- retirou o presidente do Uruguai Anastácio Aguirre (1864-1865)


QUAIS OS INTERESSES DOS PAÍSES ENVOLVIDOS NA GUERRA?
  • Brasil: queria continuar mandando na região e usar os da bacia platina
  • Argentina: queria evitar a saída de duas de suas províncias do país ( Entre Rios e Corrientes), que queriam ficar independentes com o apoio do Paraguai
  • Paraguai: na época governado por Solano Lopez, desejava uma saída para o mar para comerciar com mais facilidade. 
  • Visando a província de Mato Grosso, o ditador paraguaio aproveitou-se da fraca defesa brasileira naquela região para invadi-la e conquistá-la. 
  • Fez isso sem grandes dificuldades e, após esta batalha, sentiu-se motivado a dar continuidade à expansão do Paraguai através do território que pertencia ao Brasil. 
  • Seu próximo alvo foi o Rio Grande do Sul, mas, para atingi-lo, necessitava passar pela Argentina. 
  • Então, invadiu e tomou Corrientes, província Argentina que, naquela época, era governada por Mitre.
Bartolomé Mitre Martinez foi um político, 
escritor e militar argentino, foi presidente 
da Argentina de 1862 a 1868.


O GOVERNO DE SOLANO LOPEZ (presidente do Paraguai)

    Solano Lopez -
    presidente do Paraguai (1862-1870)


  • As mercadorias do Paraguai deviam circular pelos rios: Paraguai, Paraná e Prata.
  • Rio Paraná- fronteira com o Brasil
  • Rio da Prata - controlado pela Argentina
  • Solano Lopez - aliou-se ao Uruguai e aos rebeldes argentinos, para formar um novo país com porto marítimo em Montevidéu ( não deu certo)
  • 1864- Brasil invade o Uruguai - o presidente do Uruguai, Anastácio Cruz Aguirre foi derrotado pelo exército brasileiro.

Aguirre,
presidente do Uruguai














A GUERRA COMEÇOU

Tríplice Aliança: Brasil, Argentina e Uruguai

  • Um navio brasileiro é aprisionado e o Mato Grosso é invadido pelo Paraguai
  • Paraguai X Argentina (motivo: Argentina não permitiu Paraguai atravessar por suas terras)
  • Maio de 1865 - TRÍPLICE ALIANÇA ( Brasil, Argentina e Uruguai ) contra o Paraguai.




AS CONSEQUÊNCIAS DA GUERRA DO PARAGUAI

  Cada país envolvido teve um resultado diferente

O Paraguai 
  • perdeu parte das indústrias,
  • perdeu 140 mil km quadrados de território 
  • perdeu mais de  200 mil pessoas 
  • 23.917  pessoas mortas ( algumas pesquisas dizem que foram mais de 100 mil mortos)

Brasil

Oficiais brasileiros posando com suas armas e
equipamento no estúdio improvisado de um fotógrafo
 bem próximo ao teatro de operações, c.1867
  • incorporou vastos territórios
  • garantiu ligação fluvial com sul do Mato Grosso
  • manteve a liderança na região platina
  • a dívida externa cresceu  (empréstimos com a Inglaterra)
  • aumentou a emissão de moedas (inflação atinge a camada mais pobre)
  • gastos de 640 mil contos de réis (11 vezes o orçamento do Brasil em 1864)
CURIOSIDADES!  

1- O Brasil, que sustentou praticamente sozinho a guerra, pagou um preço alto pela vitória. Durante os cinco anos de lutas, as despesas do Império chegaram ao dobro de sua receita, provocando uma crise financeira. A escravidão passou a ser questionada, pois os escravos que lutaram pelo Brasil permaneceram escravos.

2- O Exército Brasileiro passou a ser uma força nova e expressiva dentro da vida nacional. Transformara-se numa instituição forte que, com a guerra, acabou ganhando tradição e força interna e representaria um papel significativo no desenvolvimento posterior da história do país.

3- O mercado paraguaio abriu-se para os produtos ingleses e o país viu-se forçado a contrair seu primeiro empréstimo no exterior: um milhão de libras da Inglaterra, que se pode considerar a potência mais beneficiada por esta guerra.


Luís Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias. 
Patrono do Exército Brasileiro



 OS NEGROS NA GUERRA DO PARAGUAI


Caricatura da época da Guerra do Paraguai feita por paraguaios que chamavam o exército brasileiro de MACACUDOS. Isso por conta dos escravizados formarem grande parte do batalhão de soldados brasileiro. A questão é que no Paraguai também havia africanos escravizados, pois a abolição não havia acontecido ainda. O que existia era a Lei do Ventre Livre.


  • O Brasil utilizou a população negra na guerra 
  • Os escravizados eram alforriados ao ingressar no exército brasileiro
  • Os senhores de escravos recebiam indenização pela alforria de seus escravos
  • Estima-se em 20 mil o número de escravizados que teriam conseguido liberdade na guerra (segundo Robert Conrad)
  • A participação da população negra foi decisiva



Oficiais brasileiro na Guerra do Paraguai

Oficiais brasileiros nos momentos finais da Guerra do Paraguai, entre eles está o Conde d´Eu (com a mão na cintura), 1870
  • Dos cerca de 160 mil brasileiros que combateram na guerra, as melhores estimativas apontam cerca de 50 mil óbitos e outros mil inválidos. Outros ainda estimam que o número total de combatentes pode ter chegado a 400 mil, com 60 mil mortos em combate ou por doenças

Artilharia uruguaia na Batalha do Boqueirão, e ao fundo tropas da tríplice aliança indo para o combate,1866.
Mortos na Guerra do Paraguai 
  • O Paraguai sofreu grande redução em sua população. A guerra acentuou um desequilíbrio entre a quantidade de homens. Algumas fontes citam que 75% da população teria perecido ao final da Guerra. Estimativas atuais, contudo, fixam o percentual de perdas de vidas entre 15% e 20% da população.
  • As altas taxas de mortalidade na guerra não foram decorrentes somente por conta dos encontros armados. Entre os brasileiros, pelo menos metade das mortes tiveram como causa doenças típicas de situações de guerra do século XIX. A principal causa mortis durante a guerra parece ter sido o cólera.


Procissão de N. S. da Conceição em 30 de maio de 1868 no acampamento brasileiro no Tayi. S/a. A religiosidade presente em campo de batalha.


Antes da queda de Humaitá, crianças combatiam no exército paraguaio. Este foi incorporado para prestar serviços ao oficial da foto. 



Mulheres e crianças paraguaias recebem cuidados médicos



o Imperador em Porto Alegre – de volta de Uruguaiana, por Luiz Terragno.  


Modelo dos fardamentos dos Voluntários da Pátria (soldados brasileiros)

 VEJA QUE LEGAL ESSE RESUMO SOBRE A GUERRA DO PARAGUAI






O PARAGUAI ATUAL




E PARA QUEM GOSTA DE GAMES, AQUI ESTÁ UMA DICA DE UM JOGO MUITO LEGAL SOBRE A GUERRA DO PARAGUAI. DIVIRTA-SE!!

CLIQUE AQUI E DIVIRTA-SE!